Deixem-me ir às compras!

Os media nacionais tem vindo a publicar diversas noticias que dão conta de pressões, que alguns dizem são não só ilegais como imorais, sobre os trabalhadores de grandes superfícies (entenda-se acima dos 2000m2). Em causa está o desejo de alguns patrões desejarem abrir no dia de 1º de maio, dia do trabalhador (e da mãe!) ,um domingo. Pois bem parece que alguns municípios (Almada entre outros) resolveram fazer uso da lei que lhes permite regular os horários dessas grandes superfícies e no fundo mandá-los fechar durante o domingo e feriados nacionais (no futuro). Não estando em discussão o facto de em portugal existirem demasiados feriados (porque há) está em discussão o papel do governo na regulação de actividades económicas. O problema do comércio local já não se põe a pequena superfície já não existe (porque já não faz sentido), e mesmo quando existe (onde faz sentido) também já necessita de trabalhadores contratados para fazer o serviço e penso que a maioria das pessoas neste pais concordará que o pingo doce oferece um bom serviço a preços competitivos. Na minha opinião o Estado, e neste caso os governos locais, não se devem por nem de um lado nem do outro, existe uma lei, trabalhar ao feriado ganha-se mais e se não me engano existe a obrigação de folgar no dia seguinte. Agora o caso das alegadas “pressões” dos patrões, na minha opinião acabam por dar tiros no pé, quanto mais situações destas forem noticiadas, disseminadas pior é.  A imagem dos trabalhadores do pingo doce todos contentes com dentes branqueados está a ser erodida cada vez mais. É por isso que não discuto a existência de grupos que “defendem os trabalhadores” sejam eles sindicatos (com os seus defeitos) ou outros. Se os hipermercados querem abrir num feriado então paguem, se não conseguem arranjar pessoas suficientes não abram.

http://www.ionline.pt/conteudo/120373-lojas-pingo-doce-abertas-no-1-maio-mas-com-falhas-pontuais

http://www.precariosinflexiveis.org/2011/05/jeronimo-martins-entra-na-guerra-de.html

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Geração à rasca? O bom e o mau.

Primeiro, não, não fui, por razões fundamentalmente ideológicas não fui a esta manifestação. E pelo que vi na TV, ainda bem que não fui.

Comecemos pelos pontos positivos que se puderam retirar da manifestação e da cobertura mediática da mesma.

1. Participação cívica, para o bem e para o mal o facto é que 4 “jovens” (militantes do BE ou ex-JCP) conseguiram mobilizar centenas de milhares de pessoas a ir à “rua”, isto só pode melhorar a situação política neste país. Cada vez mais os políticos terão que ter “medo” das suas acções pois um passo em falso pode originar uma repercussão tremenda. (um pouco como o episódio da ENSITEL)

2. O problema da “precariedade” e dos “falsos recibos verdes” existe e independentemente da opinião divergente sobre as origens, causas e soluções para o problema, o facto é que, a precário nenhum banco dá um empréstimo para comprar uma casa (a não ser que tenhamos o tio patinhas como fiador) e isso é um problema que penso que se irá manifestar a curto prazo.

3. Atacar a máfia que está assente no regime é sempre bom e saudável, existiu/existe uma verdadeira invasão ao estado que tem de ser revertida (e não é só nos altos cargos…).

4. De facto foi pacifico, foi laico e, apesar das origens, apartidário!

E o mau,

Pelo que vi e li (e não, não confio nos jornais pois sei bem como funcionam as “edições”) não compreendo como é que muitas pessoas continuam genuinamente a acreditar que o “governo” tem de fazer “algo” para melhorar a sua situação económica ou proteger os interesses do seu grupo particular. Enquanto não se perceber que, numa democracia o papel do estado é garantir segurança, justiça igual para todos, disponibilizar educação (isto da educação tem muito que se lhe diga) e saúde de ultimo recurso (para que ninguém morra por ser pobre). Mas, é também o dever do estado permitir que as pessoas sejam livres para criar e gerar riqueza e para isso precisam de uma justiça que funcione, um sistema fiscal que não as asfixie (entre outros) e só assim se produz a riqueza necessária a manter os serviços públicos!.

Ouvi muitas pessoas, com cursos muito interessantes (fotografia, mestrados em estratégia da paz, animação sociocultural), queixarem-se de não ter emprego e culpam de alguma forma o governo por isso. Para já o estado não tem o direito de usar o dinheiro de outras pessoas para empregar quem quer que seja ou garantir subsídios para qualquer actividade para alem do necessário ao funcionamento dos serviços públicos de forma clara, transparente e eficiente no custo-benefício. Se não existem empregos neste país é porque não existem condições para que os empresários construam mais, melhores e maiores empresas ou simplesmente esses empresários não existem. Qualquer que seja a razão a solução não passa por mais “regulamentação”. A regulamentação serve para impedir que as actividades prejudiquem, sem pagarem o devido custo, outras actividades ou pessoas (poluição por ex.).

Quanto a ordenados mínimos e passagem para os “quadros” e pedidos de leis similares. Temos de ver não a intenção, com certeza nobre, que determinada lei possui, mas o seu resultado efectivo. Se a partir do 3 contrato (anual imaginemos) uma pessoa passa a efectivo, e como tal, torna-se exponencialmente mais difícil de despedir, então como qualquer pessoa vos dirá o mais lógico é a partir do terceiro contrato, mudar de pessoa evitando assim que, em situações de, diminuição de volume de vendas, falta de desempenho ou outra situação qualquer ter de pagar quantias maiores do que num outro qualquer tipo de contrato.

Resumindo, a diferença para mim é esta: eu acredito que temos o direito a trabalhar onde possível para nós próprios ou para outros, na manifestação defendia-se o direito ao “emprego”, duas coisas muito diferentes.

Para outro post fica a discussão da forma vergonhosa como algumas universidades actuam, na criação de muitos cursos absolutamente ridículos e outros em oferta  muito acima da procura, para dar belos tachos a vários professores doutores que não arranjam emprego em lado nenhum.

ps: da manifestação dos professores já não tenho palavras, é mau demais para ser verdade.

ps2: e se acham que eu sou formado em marketing e trabalho numa multinacional desenganem-se, tenho um curso sobrelotado que ganha pouco e há pouco “emprego”.  por isso mantenho o olho aberto a todas as oportunidades que podem surgir, quer seja na criação de empresa própria (já estive mais longe) ou da fuga para o estrangeiro (já estive mais perto).

peço desculpa pelo português mas não tive tempo para reler isto.

http://publico.pt/Sociedade/protesto-geracao-a-rasca-juntou-entre-160-e-280-mil-pessoas-so-em-lisboa-e-porto_1484504