Que boa ideia!

Fantástica, simplesmente excepcional e inovadora, a ideia, que o novo governador do Banco de Portugal vem agora apresentar à ignorante plebe. Esta nova ideia, apresentada numa conferência sobre os 35 anos da nossa constituição, é muito bem sintetizada nas próprias palavras do governador : “É crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes”. O governador também pediu maior transparência nos organismos públicos dizendo: “Quantos organismos públicos existem. Quantos são os funcionários públicos e quais os respectivos regimes de vinculação? Qual o volume global das garantias conferidas pelo Estado? Quais os encargos futuros com os sistemas de pensões ou com as parcerias público-privadas?”.

Mais uma prova de que, independentemente da perspectiva com que olhamos os problemas do país, podemos ter a certeza absoluta que vivemos numa república das bananas. A coberto de um pretenso estado social, uma entidade muito amada por muitos, certas forças criaram, muitas vezes de forma criminosa, uma aliança entre um estado faraónico e corporações sem vergonha nem consciência. Tudo o que era bom e louvável é perdido num marasmo dominado por animais marinhos tentaculares e fenómenos climatéricos violentos, arrastando cada vez mais o estado para o precipício.

http://publico.pt/1491613

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O fim da linha.

Pois é, o grandioso estado social português deu nisto. Um pais de crescimento esclerótico, com uma criação de riqueza anémica e um voraz apetite para gastar aquilo que não têm, banhando os seus funcionários com aquilo que porventura merecem mas que nunca poderia dar e, mais grave, arruinando-se em negócios com privados . O resultado é um novo protectorado e, embora não seja grande “afficionado” do FMI, a entrega dos destinos macroeconómicos do pais a mãos, por que não dizê-lo, mais capazes ou, de outro ponto de vista, pouco preocupadas com populismos fáceis e charlatões.

O pagamento dos salários já estava em risco (e ainda está ao que parece sobretudo nas empresas de transportes públicos e no MAI), uma surpresa com certeza para alguns que ainda acreditavam que o governo poderia dar “a volta” à situação difícil em que nos encontrávamos. Mas não, tal já não era possível, os erros deste e de anteriores governos acumularam-se fragilizando Portugal até a um ponto que seriamos sempre os mais penalizados por qualquer abalo económico internacional. Penalizados pela nossa incapacidade estrutural de crescer e produzir, penalizados pela nossa dependência do gasto governamental, corrupto, ineficaz e muito pouco transparente. Basta ver a vergonha das parcerias publico-privadas na área dos transportes (entre outras igualmente criminosas). A coberto da integração do território permitiu-se a construção infindável de autoestradas para lado nenhum, esperando miraculosamente que a abertura de uma via de 4 faixas fosse trazer o desenvolvimento económico a uma qualquer área que por si só não teria interesse nenhum.

Aqueles que procuram inimigos externos a quem se possam atribuir culpas, desenganem-se, a culpa é nossa e só nossa. Poderemos com certeza apontar várias externalidades que agravaram a nossa situação, mas esta já era grave em tempos bons quanto mais seria então em tempos menos bons.

O estado tem que se reconfigurar e reorganizar. Por mais que as pessoas não o queiram não podemos continuar a afundar o pais à custa de BPNs, PPPs ruinosas, empresas publicas corruptas e insolventes,  gastos com o pessoal, com carros, com assessores, consultorias, planos, estudos, renovações de estações ferroviárias e gabinetes, viagens, institutos e fundações. Se queremos gozar da mesma amplitude que os nossos “vizinhos” do norte europeu temos de fazer por isso, temos de nos tornar um modelo de eficácia, transparência, justiça, liberdade económica e criação de riqueza só desta forma poderemos garantir os serviços que hoje reivindicamos ao estado mas que este se encontra, cada vez mais, incapaz de fornecer. Portugal tem de passar a ser o país onde as coisas acontecem, onde as coisas são feitas, não pode continuar a ser o pais dos projectos pendurados para sempre, do debate infindável, do aeroporto que era mesmo para ser ali, mas que afinal de contas fica mesmo bem do outro lado do rio (a lista poderia continuar certamente).

Como é que se faz isto? Chega-se a São Bento, corta-se as relações com os “amigos”, fecha-se as portas, desliga-se o telefone e faz-se o que se tem de fazer doa a quem doer. O FMI pode tentar melhorar as contas, mas não muda a mentalidade.


Disponibilidade e necessidade.

““Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI”, afirmou Sócrates, que falava na apresentação da moção de recandidatura como secretário-geral do Partido Socialista (PS), no Porto.”

Sócrates afirma, com a convicção que o caracteriza, que não está disponível para negociar com o FMI. Pois bem, a taxa de juro que o FMI pede tanto à Grécia como à Irlanda ronda os 5,5% enquanto que portugal ronda entre os 5% a longo prazo e 7% a curto/médio prazo. Esta taxa de juro é algo que vários economistas, entre os quais o “socialista” Paul Krugman apelidaram de ruinosa “se se pensar sobre a dinâmica da dívida, uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa, “se se pensar sobre a dinâmica da dívida, uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa”. Adianta, porém, que “não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada, daí o sucesso”. Mas alerta: “Mais alguns sucessos e a periferia europeia será destruída.”

Sócrates esquece, como tem hábito por conveniência, que, neste momento, só o Banco Central Europeu nos impede de cair numa catástrofe de falta de liquidez para pagar salários (alguns deles que até era bom não serem pagos). Esquecendo as questões pragmáticas este primeiro ministro aposta num sentido perverso de patriotismo onde o que é de salutar não é salvar o país mas sim impedir que sejamos “governados” financeiramente por uma cambada de estrangeiros. Infelizmente Sócrates estará porventura esquecido da máfia que invadiu o sector estado, às costas de muitos bem intencionados e que pouco a pouco tem vindo a deitar este país na mais profunda crise, crise essa que no primeiro momento de fraqueza internacional pôs a céu aberto todos os falhanços e fraquezas da nossa governação desde 1974 (há quem diga desde à muito, muito mais).

Entre Sócrates e o FMI venha o diabo e escolha.

http://publico.pt/1485720 – Sócrates e FMI

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=462777 – Krugman e taxas de juro


O fim? Não.

Perante a admissão, em entrevista, do primeiro ministro de Portugal que, sem aprovação do novo Programa de Estabilidade e Crescimento, se demitiria existiu algum, se não bastante, rejubilo mais do que compreensível de muitas pessoas, políticas e não só.

Pelo que leio nos comentários e opiniões nos jornais, nas redes sociais e entre amigos, portugal é um país adormecido. Dividido entre um centro-esquerda “socialista”, falso-profeta, mafioso, que se auto-perpetua através do crescimento da burocracia, do caciquismo, do dirigismo, de uma falta de vergonha inacreditável e uma Direita completamente castrada nas suas convicções  que, com uma hipocrisia que vai para alem do nefasto, adoptou as mesmas políticas centristas e deixou-se levar no seu conforto angelical “ético” e “moral”.

Veremos.


Governo criou 70 grupos de trabalho e comissões

in, Público 28.02.2011 – 14:27 Por João d´Espiney

http://publico.pt/1482548

“Mas não é possível chegar a uma conclusão quanto aos encargos que todas estas estruturas representam para o erário público, uma vez que a maioria dos despachos é omissa quanto aos custos remuneratórios e logísticos a suportar pelos diferentes organismos dos ministérios. Só num caso – a comissão para a optimização dos recursos educativos, criada a 27 de Julho de 2010 – se revela de forma transparente o custo total da estrutura: 399.025,39 euros, que iriam ser suportados durante três anos, caso não tivesse sido extinta em Novembro passado no âmbito das medidas de contenção de despesa. E só em 12 diplomas é dito expressamente que os membros não são remunerados.”

Como é que não é possível chegar a uma conclusão!?!??!?! Tanto falatório sobre transparência e depois isto, uma vergonha, este regime está para alem do podre…